Pequenas pérolas do cinema que surgiram por acaso na minha vida – parte II

Setembro 21, 2009 por julianamcamargo

“Bem-vindo à Casa de Bonecas” (1995)

8Com este filme pouco conhecido comecei meu caso de amor com o controle remoto e a TV a cabo. “Bem-vindo à Casa de Bonecas” – filme de 1995 dirigido por um então desconhecido Todd Solandz – não tem, a priori, nenhum atrativo. A começar pelo título, um tanto quanto infantil/pré-adolescente, e, ao ver um dos pôsters dele, você tem a certeza de que realmente é um filme direcionado a este público, só que com atores e diretor toscos. Era essa a impressão que eu tinha antes de ver. Antes. Em uma daquelas tardes calorentas sem porcaria nenhuma pra fazer, pensei em dar uma chance a ele. Mesmo com tudo conspirando contra o pobre, mudei para o finado Telecine Happy e comecei a assistir. 

Um dos primeiros filmes do diretor Todd Solondz – que durante os anos 90 se consagrou como um dos mais talentosos diretores do cinema alternativo americano -, “Bem-vindo à Casa de Bonecas” é um retrato da fria sociedade americana, sobre tudo em um dos redutos onde ela pode ser mais cruel: na escola. Ainda mais para uma menina que está passando da infância para adolescência e não é exatamente atraente, apesar de todas as boas intenções para com seus entes. Dawn Wiener, interpretada brilhantemente por Heather Matarazzo (“O Advogado do Diabo”, “O Diário da Princesa”, “Pânico 3”), é um dos personagens que melhor personificam o loser americano. Apesar de ser uma menina de bom coração, é ridicularizada e humilhada por amigos e familiares, e tenta de todas as maneiras se tornar alguém agradável para quem sabe um dia ter a atenção dos pais (que dedicam tempo quase que integral ao filho inteligente e à filha mais nova da família, uma bailarinazinha pentelha) e ser admirada pelos colegas.

O grande diferencial do filme é que, diferente dos típicos filmes hollywoodianos, Dawn não se torna numa diva loira e bem arrumada da escola, e sua saga é retratada ao mesmo tempo de forma angustiante e cômica, provocando sentimentos antagônicos nos telespectadores – coisa que só o Solondz pode fazer. Em um dos momentos mais engraçados do filme, Dan chega ao fundo do poço ao permitir que um colega da mesma faixa etária a estupre, pensando assim se tornar alguém “cool”. Fora o final do filme, quando sua irmã desaparece e, em uma tentativa heróica de se tornar importante, vai atrás da menina em outra cidade. Claro que eu não vou contar o que acontece porque vocês vão ter que ver o filme (dã).

Cheio de diálogos inteligentes e engraçados, “Bem-vindo à Casa de Bonecas” é um clássico do cinema alternativo americano nos anos 90, que revelou para o mundo Todd Solondz, um nerd tipicamente loser que conseguiu captar o quão crua e podre pode ser a sociedade americana, só que com um humor bastante ácido. É incrível a capacidade que um filme dele tem de causar sensações tão distintas. Em “Felicidade” de 1997, por exemplo, entre várias estórias, Solondz retrata a rotina de um psiquiatra que vai até à casa dos coleguinhas do filho para molestá-los. Onde pedofilia poderia se tornar tão engraçado? Só num filme de Solondz. 

Pequenas pérolas do cinema que surgiram por acaso na minha vida – parte I

Setembro 14, 2009 por julianamcamargo

Procura-se Susan Desesperadamente” (1985)

9Procurar filmes na TV a cabo em madrugadas modorrentas ou quando deixo de lado o vício da internet me permitiram, por vezes, descobrir algumas pequenas pérolas cinematográficas que até então mal tinha ouvido falar. Não minta aí do lado, você, que gosta dos grandes medalhões do cinema, que quando procura filmes na SKY vê se na sinopse tem um Woody Allen, Truffaut, Kurosawa etc. Eu faço isso, pô. O que, convenhamos, não é nenhum demérito. O mundo seria um lugar melhor se houvessem mais pessoas fãs desses diretores.

Para, digamos assim, ampliar o meu conhecimento cinematográfico e não ir só nos diretores habitués, às vezes bate a louca em mim e assisto ao filme que está passando no primeiro canal que eu mudar. E não assisto apenas filmes “cult” (seja lá o que for o real significado dessa palavra); eu gosto de filmes ditos “comerciais”, com referências pop e até uma boa comédia americana (recentemente assisti o Se beber, não case e gostei, por exemplo). Não tente pagar de inteligente dizendo que ama o Tarantino porque os filmes dele são “para a nata intelectual” quando na verdade são cheios de referências pop. Kill Bill, por exemplo, guardadas as devidas proporções, é quase um filme do Jackie Chain quero causar polêmica, com o diferencial das boas atuações, da melhor direção e dos diálogos inteligentes e bem elaborados. E ainda assim, pra mim, o Tarantino continua sendo genial.

Mas o assunto não é Tarantino, portanto, vamos logo a listinha “robfleminguiana” é que é. A lista é aleatória, não tem um que eu goste mais que o outro. Tem filme cult, pop, e todas essas rotulações que o povo gosta de colocar mas que eu costumo chamar apenas de bom cinema.  Um filme para cada post.

O primeiro filme estrelado por Madonna depois de alcançar a fama mundial no mundo da música é uma comédia leve, com um enredo simples, despretensioso e descontraído. Este filme eu conheci por conta de uma promoção que O Liberal (ou era a Isto é?) fez e que, entre outros filmes, trazia uma VHS de “Procura-se Susan Desesperadamente”. Assisti sem maiores expectativas e acabei viciadinha nesse pequeno clássico dos anos 80 que, com certeza, é o filme mais legal estrelado por Madonna, e é onde ela tem sua melhor atuação também. E a trilha, embalada por “Into the Groove”, a-h-a-z-a! No livro “Mate-me Por Favor” dizem que o personagem que faz o namorado da Madonna é o Richard Hell (ex-Television), mas isso é balela. Dirigido por Susan Seidelman (?).

Estrelado também por Rosanna Arquette, a estória se passa em Nova York com as personagens Roberta Glass (Arquette) e Susan (Madonna) tendo suas vidas entrelaçadas por conta de anúncios em classificados de um jornal local. Entediada com o casamento e sua vidinha mais ou menos, a dona de casa Roberta começa a ler nos classificados recados trocados por Susan e seu namorado, usados como forma de comunicação entre eles. Como uma voyeur, Roberta passa a seguir os passos do casal e fica fascinada com o entrosamento dos dois e pela figura de Susan – uma mulher rebelde, despojada e de um estilo sem igual (o visual que mais marcou a Madonna, na minha opinião). Em um dos momentos que vai atrás dos dois, Roberta acaba sofrendo um pequeno acidente que a faz ter perda temporária de memória. No mesmo dia, coincidentemente, um amigo do namorado de Susan vai busca-lá no local para oferecer lugar pra dormir. Sem ter tanta certeza de que era a real Susan, confia na intuição e se baseia nas características físicas e na vestimenta (um casaco “do Jimi Hendrix” que Susan vendeu em um brechó e Roberta acabou comprando) da mulher para levá-la pra casa. Aí é só o começo da confusão. O filme ainda tem o climinha suspense por conta de um roubo de brincos, que envolve a “encrenqueira” Susan, quase uma Ferris Buller.

Artistas que a gente curte mas não conta pra ninguém – parte 1

Agosto 24, 2009 por julianamcamargo

shutupKelly Osourne põe muita riot grrrl no chinelo. Começo meu texto com uma frase bombástica como pede o jornalismo logo no lead pra “prender o leitor”. Sim, eu gosto do som que a Kelly Osbourne faz, ou, pelo menos, do disco “Shut Up”. As pessoas abrem um olho do tamanho do mundo quando digo que acho o som dela legal. “Como assim?” é a primeira frase que soltam quando veem o disco de estreia da gordinha na minha prateleira de CDs. Ela faz parte do meu seleto grupo de artistas do tipo que “a gente curte mas não conta pra ninguém”.

Ouvi falar dessa figura pela primeira vez com a exibição do reality show The Osbournes – seriado sensacional e muito engraçado exibido pela MTV que mostrava o dia-a-dia da família do roqueiro Ozzy Osbourne. Com o fim da primeira temporada da série, Kelly lançou uma cover S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L de “Papa Don’t Preach”, canção originalmente gravada por Madonna, e que ficou muito mais legal na versão da filha do Ozzy. Até aí beleza. Com o lançamento da segunda temporada ficamos sabendo que ela lançaria um disco e, desta vez, como todo mundo, pensei “que ridículo”.

Não dei muita bola pra isso até ler uma resenha na extinta revista de música [] Zero, que dizia que o disco de estreia de Kelly Osbourne, “Shut Up”, era “melhor do que de muitas bandas da nova geração roqueira” (leia-se, Strokes, White Stripes, Hives, etc). Pensei “putz, que exagero”, mas não custava tentar, né? Nem lembro quem resenhou o CD, mas resolvi confiar na palavra do jornalista.

Comprei o disco e fiquei de queixo. Em onze faixas – além da escondida “Papa Don’t Preach” – a gordinha destila puro pop-rock garageiro, daqueles com refrões e riffs que grudam no ouvido como chiclete. Não tem uma música ruim. Até o momento baladinha com a canção “More Than Life Itself” é legal. Difícil listar as melhores do disco porque são todas muito bem produzidas e legais, mas arrisco “Disconnected”, “Come Dig Me Out”, “Contradiction” e “On You Own”.

As músicas foram todas compostas em parceira com produtores que, com certeza, foram 99% responsáveis pelo disco ter saído tão bacana. Que a Kelly Osbourne tenha lá o seu talento, pode até ser, mas certamente o disco não seria bom só com composições dela. E, vamos combinar, só com a ajuda deles a voz dela ficou legal no disco.

Depois do lançamento deste disco soube que Kelly havia lançado outro rebento, “mais eletrônico e completamente diferente do primeiro”. Quer saber? Nunca fui atrás do disco. Sabia que ela não lançaria coisa mais legal que “Shut Up”. Preferi deixar na memória que ela podia ter talento mesmo. Mais talento que muitas bandas chatas do movimento riot grrrls, com certeza. Pelo menos com este disco.

5 referências fashionistas na música

Agosto 18, 2009 por julianamcamargo

O primeiro post de “Irmã Morfina” começa falando de estilo. Ou melhor, senso de estilo, porque estilo próprio todo mundo pode ter, mas ter senso de ridículo é outra história. Coisa que acontece com muitas pessoas que pertencem a tribos, digamos assim. Geralmente há uma premissa para pessoas que gostam de música de que, se você gosta de um tipo de um som específico, é fundamental usar roupas de acordo como tal. Pra ouvir punk, use tachas e calça jeans rasgadas; para os amantes de bandas indies, use óculos de aro grosso além do velho All Star guerra.

Depois que se chega numa certa idade esse lance de pertencer a uma tribo e ser “cool” é muito estranho. Nunca entendi certas pessoas que se acham a última bolacha do pacote, trajadas com estilo “alternativo” de gosto duvidoso, mesmo estando na casa dos vinte e poucos anos. Parece-me nonsense demais. Quando se tem 16 anos dá pra entender – nessa tenra idade eu, por exemplo, queria ter o estilo igual ao da Courtney Love. Mas eu tinha apenas 16 anos!!!

Gente, pra ouvir Patti Smith não é preciso andar com roupas masculinizadas e cabelo fedido. Se ela quer ser assim, azar o dela, contanto que ela continue fazendo boa música, that’s what matter. Pensando nisso – e sendo amante de música e de moda – listei cinco referências fashionistas no ramo musical que devem servir de inspiração sempre.  

Debbie Harry

Debbie Harry

A mais feminina das roqueiras é minha “ídola” número 1. Foi por culpa da Debbie Harry que conheci um trilhão de bandas legais da chamada era punk/new wave e também um senso de estilo criativo sem igual. Para quem é ligado no atual revival fashion dos anos 80, Debbie Harry é umas das pessoas famosas que melhor personificam essa era. Eu poderia citar Cyndi Lauper, mas aqui estamos falando de bom gosto e senso, coisas que Debbie Harry tem (tinha?) de sobra. Cores vivas, grafismo, macacão, bodys, legging, cintura alta, Ray-Ban Wayfarer e alfaiataria estavam lá no visual de Debbie, no final dos anos 70 e início dos 80. Tá certo que, vez ou outra, ela escorregou no visu, mas, afinal, que ícone da moda não o fez?

Scarlett Johansson

Scarlett Johansson

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atual musa do cinema americano, Scarlett Johansson também é referência quando o assunto é moda e elegância. Alguns podem se perguntar “oras, mas ela não era atriz?”, e eu respondo que sim, cabeçudo, mas ela também resolveu se enveredar pro ramo da música gravando um disco (fraco) com músicas de Tom Waits e tá pra lançar o segundo rebento. Ninguém disse que ela poderia ser cantora, mas ela tem talento de sobra para a atuação nas telonas, além de se vestir bem. Com apenas 24 anos, ela já foi garota propaganda de diversas marcas como Louis Vuitton, Dolce & Gabbana e a espanhola Mango, entre outras, e capa das principais revistas de moda do mundo. O estilo quase sempre tem referência nos 50’s, variando entre o comportado e o sexy, rendendo muitas comparações com Marilyn Monroe. A atriz chegou a lançar sua própria marca também (que agora não me recordo o nome) com roupinhas no estilo esportivo.
 
Marianne Faithfull

Marianne Faithfull

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Marianne entra pro panteão “rainha do estilo anos 60″. Do estilo mod – com sapatos anabela, oxford shoes, além de cardigãs e minissaias – passando pelo estilo hippie-psicodélico do final da década, Faithfull se tornou referência para a moda daquela época – juntamente com a modelo Anita Pallenberg. Influência para vários nomes importantes do meio musical, como Beck, Courtney Love, Kurt Cobain e PJ Harvey, infelizmente viveu à sombra da estrela dos membros dos Rolling Stones, de quem era amiga íntima e namorada, por anos, de seu líder, Mick Jagger. Com eles fez uma das canções mais melancólicas e pesadas da banda, “Sister Morphine” (que dá nome a este blog). Durante ao anos 70 e 80 foi o retrato da diva decadente, viciada nas drogas mais pesadas possíveis, que detonaram, literalmente, a outrora voz límpida.

Carla Bruni

Carla Bruni

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Antes do casamento com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, acho que só tinha ouvido falar da cantora italiana Carla Bruni na minha aula de frânces, quando alguém citou que gostava de uma música dela. Hoje, lembro de ter ouvido algumas músicas dela, mas não me recordo se ela é ou não uma artista talentosa. Mas uma coisa não se pode negar: Bruni tem talento de sobra para se vestir bem. XÉZUIS, eu quero um guarda-roupa daquele! Trench-coats, boleros, tailleurs, casaquetos, pashminas, mantô, sapatilhas, tudo combinando, com o visual sempre muito sóbrio (como já definiu a revista “Vogue”) e quase sem aderir à estampas. Diversas vezes comparada à Jackie ‘O, merecidamente.

Lily Allen

Lily Allen

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ela pode até escorregar no visu às vezes, e você pode até não curtir, mas eu acho a proposta do visual “divertido” super acertado. Faixas e laços no cabelo, vestidinhos coloridos que remetem os anos 60 com um ar quase infantil. E Lily Allen tem, pelo menos, um disco muito legal, “It’s Not Me, It’s You”, lançado no começo deste ano. O ápice de “fica dica de como se vestir bem” foi no clipe de “It’s Not Fair”, uma pérola pop com batidão (?) country onde Lily usa um macacão D-I-V-I-N-O que caiu como bem no corpo de apenas 1,57.

Oiê!

Agosto 13, 2009 por julianamcamargo

Depois de muita relutância e um tanto de preguiça, finalmente coloco no ar um blog para chamar de meu. O nome, um tanto quanto curioso, é tirado de uma das canções mais sombrias dos Stones, de autoria da duplinha Mick Jagger/Keith Richards com a igualmente junkie Marianne Faithfull. Foi praticamente um parto chegar a um nome definitivo. Tentei até colocar “Sister Morphine” – o nome original da canção – mas já tinha o domínio do nome aqui no WordPress.

Antes de ”Irmã Morfina” tive um blog onde postei alguns textos pingados, a maioria matérias que eu escrevia no jornal. Nada, digamos assim, pessoal. Aliás, acredito que o fator principal de eu não ter criado logo esse blog foi minha implicância em escrever em primeira pessoa.

Sem mais delongas, o primeiro post é só de apresentação. Aqui você vai encontrar textos sobre música, cinema, moda e comportamento, todos passíveis de crítica, mas sempre mantendo o respeito, que é bom e eu gosto. E tenho dito.

p.s: Amigo que é amigo linka. Linka meu blog aí.