Kelly Osourne põe muita riot grrrl no chinelo. Começo meu texto com uma frase bombástica como pede o jornalismo logo no lead pra “prender o leitor”. Sim, eu gosto do som que a Kelly Osbourne faz, ou, pelo menos, do disco “Shut Up”. As pessoas abrem um olho do tamanho do mundo quando digo que acho o som dela legal. “Como assim?” é a primeira frase que soltam quando veem o disco de estreia da gordinha na minha prateleira de CDs. Ela faz parte do meu seleto grupo de artistas do tipo que “a gente curte mas não conta pra ninguém”.
Ouvi falar dessa figura pela primeira vez com a exibição do reality show The Osbournes – seriado sensacional e muito engraçado exibido pela MTV que mostrava o dia-a-dia da família do roqueiro Ozzy Osbourne. Com o fim da primeira temporada da série, Kelly lançou uma cover S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L de “Papa Don’t Preach”, canção originalmente gravada por Madonna, e que ficou muito mais legal na versão da filha do Ozzy. Até aí beleza. Com o lançamento da segunda temporada ficamos sabendo que ela lançaria um disco e, desta vez, como todo mundo, pensei “que ridículo”.
Não dei muita bola pra isso até ler uma resenha na extinta revista de música [] Zero, que dizia que o disco de estreia de Kelly Osbourne, “Shut Up”, era “melhor do que de muitas bandas da nova geração roqueira” (leia-se, Strokes, White Stripes, Hives, etc). Pensei “putz, que exagero”, mas não custava tentar, né? Nem lembro quem resenhou o CD, mas resolvi confiar na palavra do jornalista.
Comprei o disco e fiquei de queixo. Em onze faixas – além da escondida “Papa Don’t Preach” – a gordinha destila puro pop-rock garageiro, daqueles com refrões e riffs que grudam no ouvido como chiclete. Não tem uma música ruim. Até o momento baladinha com a canção “More Than Life Itself” é legal. Difícil listar as melhores do disco porque são todas muito bem produzidas e legais, mas arrisco “Disconnected”, “Come Dig Me Out”, “Contradiction” e “On You Own”.
As músicas foram todas compostas em parceira com produtores que, com certeza, foram 99% responsáveis pelo disco ter saído tão bacana. Que a Kelly Osbourne tenha lá o seu talento, pode até ser, mas certamente o disco não seria bom só com composições dela. E, vamos combinar, só com a ajuda deles a voz dela ficou legal no disco.
Depois do lançamento deste disco soube que Kelly havia lançado outro rebento, “mais eletrônico e completamente diferente do primeiro”. Quer saber? Nunca fui atrás do disco. Sabia que ela não lançaria coisa mais legal que “Shut Up”. Preferi deixar na memória que ela podia ter talento mesmo. Mais talento que muitas bandas chatas do movimento riot grrrls, com certeza. Pelo menos com este disco.
Nunca ouvi.
mas deu curiosidade
Querio registrar de público meu protesto ao nome deste teu blog. mas parece, como disse bem o Filipe Faraon no blog do Anderson: “irna mufina”… huahauhauhauhaua
Mas os textos são bacanas. Gosto.rs
Beijos
Pode até ser um disco legalzinho, mas melhor do que Strokes, White Stripes e Hives???? Esse tal jornalista tá de brincadeira!!!