A vinda do cineasta norte-americano Oliver Stone foi aguardada o dia inteiro no último dia 31 de maio, no teatro da Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo. Estudantes da instituição e jornalistas dos mais diversos veículos estiveram no local para conferir a pré-estreia exclusiva do documentário ‘Ao Sul da Fronteira’ – no qual Stone entrevista as principais lideranças esquerdistas da América do Sul –, seguido de uma coletiva com o diretor, que por duas vezes teve de ser adiada por problemas do cineasta com visto de entrada no país. O diretor está em viagem pela América do Sul para divulgação de seu novo documentário.
Conhecido por ser controverso e ferrenho crítico do governo americano, Oliver Stone mostra claramente em ‘Ao Sul da Fronteira’ sua admiração pela figura de Hugo Chavéz, principal protagonista do documentário. Retratado como líder de uma ‘transformação social’ na América Latina, o venezuelano tem sua história contada desde os tempos de tenente-coronel, a tentativa frustrada de chegar ao poder por um golpe de Estado em 1992, até sua chegada à presidência em 1999, onde ficou desde então. Evo Morales, presidente boliviano, também tem sua história contada até a ascendência ao poder. Os demais presidentes entrevistados – Lula (‘presidente centro-esquerdista’), Fernando Lugo (Paraguai), Cristina Kirchner (Argentina) e Rafael Correa (Equador) – são apenas antagonistas. Quem também dá entrevista ao diretor é Raúl Castro, irmão de Fidel Castro, e atual presidente cubano.
Considerado tendencioso por muitos, o documentário (que já foi exibido em alguns estados americanos e europeus) tem a grande sacada de mostrar ao público como a mídia americana demoniza ao extremo líderes como Chavéz e Morales – retratados de forma até hilariante perante o público – e suas informações um tanto quanto caluniosas. “Com o documentário, quis mostrar o outro lado de todas essas informações. Os americanos não sabem o que realmente acontece por aqui. Sei que haverão várias críticas sobre o filme por lá. Mas não sou um socialista, sou apenas humanitário”, esclareceu o diretor na coletiva.
‘Ao Sul da Fronteira’ tem momentos engraçados quando o diretor, ao lado do presidente da Bolívia Evo Morales, experimenta compulsivamente folha de coca, usada por muitos nativos com o objetivo de diminuir os sintomas respiratórios causados pela altitude do ar no país. Outro momento hilário fica por conta do presidente Hugo Chávez que, ao visitar um terreno onde passou sua infância, passeia de bicicleta pelo local e acaba por danificar o objeto.
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