Foto: Divulgação

Se me perguntassem de quem eu gostaria de herdar o guarda roupa, responderia sem pestanejar: Grace Kelly. A atriz sempre esteve no meu imaginário quando se tratava de moda e, claro, por conta dos filmes do Hitchcock (assisti a todos com participação dela).  Qual foi a minha surpresa ao descobrir, há cerca de um mês, que a faculdade onde faço minha especialização iria abrigar uma exposição sobre sua vida e carreira? Confesso que não esperava muito, não sei por quê. Imaginei que iria me deparar com fotos, pôsteres de filmes e alguns vestidos (réplicas, provavelmente). De fato, tudo isso estava lá. Mas DEFINITIVAMENTE não era só isso.

Decidi visitar a exposição logo na abertura, há quatro dias. Abrigada no luxuoso Museu de Arte Brasileira da FAAP (que até então, pasmem, eu não conhecia), a exposição “Os Anos Grace Kelly, Princesa de Mônaco” é mais do que bonita e informativa: ela é genuinamente emocionante. Eu recomendo, inclusive, que ela seja apreciada mais de uma vez, porque o impacto inicial é tão forte que fica difícil acompanhar de forma tradicional, como em uma galeria de arte.

Dividida em 12 salas, a exposição faz um percurso por toda vida da atriz, da infância e juventude regrada até se tornar princesa de Mônaco. O acervo, todo cedido pelo Palácio Principesco de Mônaco, é bem conservado (e quase 100% original, exceção de uma ou outra réplica de vestido) e de uma nostalgia super charmosa. Logo na primeira sala, “Filadélfia”, cidade onde Grace nasceu e cresceu, há uma rica coleção de fotos e vídeos da atriz com a família em férias na praia. Mas o que mais me chamou atenção foi um tosco álbum de páginas já desgastadas onde Grace guardava memórias do seu dia-a-dia, de cartões de publicidade a papéis de bombom, tudo muito delicado. Essa percepção de delicadeza veio permear todas as outras 11 salas que percorri. As fotos, lembranças e vestidos de beleza extraordinária fazem elevar nosso espírito feminino a enésima potência.

Nos bastidores de "Janela Indiscreta" (1954) com James Stewart e Alfred Hitchcock. Foto: Divulgação

Uma das salas mais bacanas era a “Hitchcock”, dedicada a relação de Grace com o diretor Alfred Hitchcock (MESTRE). Ambientada em um prédio que remetia ao filme “Janela Indiscreta”, o espaço tinha uma réplica da cadeira que o personagem de James Stewart (LINDO DE MI VIDA!) usava no filme, além de cartas trocadas entre a atriz e o diretor inglês. Além de “Janela Indiscreta”, Grace fez outros dois filmes do diretor, “Disque M para Matar” e “Ladrão de Casaca” – o último, filmado em Mônaco, de onde se tornaria princesa pouco depois.

Ao entrar na sala “Casamento” tive uma síncope. Só não chorei porque seria vergonhoso, mas ao me deparar com o icônico vestido usado por Kelly para o casamento com o príncipe Rainer III, fiquei minutos olhando e admirando, com olhos marejados, aquele que para mim é o vestido de noiva mais bonito de todos os tempos. Presente da Metro-Goldwyn-Mayer, o vestido é da designer Helen Rose, figurinista da empresa na época. De seda, rico em detalhes de renda bordada, a peça se tornou umas das mais copiadas de todos os tempos. Os delicados sapatos usados pela agora princesa levavam apliques de pérolas deixando tudo mais fino. Diferente das outras peças que pertencem ao Palácio Principesco de Mônaco, o vestido foi doado pela própria Grace Kelly ao Museu de Arte da Filadélfia. 

Sala "Bailes" com criações de Dior, Balenciaga e Hanae Mori. Foto: Moodismo

Quando eu achava que nada mais iria me impressionar, adentro a sala “Bailes” com 23 luxuosos vestidos, criações de Christian Dior, Yves Saint-Laurent, Madame Grés, Marc Bohan, Balenciaga, Maggy Rouff e Hanae Mori para a princesa de Mônaco. Todos lindíssimos e atemporais (exceção de um vestido de tafetá pink, que remete a indumentária rococó). Mas o que me encantou de verdade foi um Yves Saint-Laurent longo em musselina de seda bordado em fio de ouro. Mangas levemente bufantes e transparentes além de uma cintura marcada dão o charme a mais a essa peça mais do que perfeita.

Vestido em musselina de seda bordado em fios de ouro Yves Saint-Laurent (Outono-Inverno 1971). Foto: Ousadia Fashion

Os vestidos elegantes ainda apareceram nas salas “Glamour” e “Princesa”, abrigadas no mesmo espaço. As bolsas Hermès, uma mais lindinha que outra, roubaram a cena. Claro que a clássica “Kelly” – bolsa que leva seu nome graças ao uso constante pela princesa – estava lá, imponente, sonho de 10 entre 10 mulheres no mundo inteiro.

Ainda tinha a última sala a visitar, com fotos da princesa junto a autoridades como o papa João Paulo II, príncipe Charles e Lady Di, a Rainha Mãe Elizabeth (que se referia a Grace como “umas das nossas”), entre outros. As joias são um espetáculo a parte, em especial uma bonitinha caixinha de pó arroz toda de ouro branco e amarelo, com platina e diamantes.

Não vou mentir: a exposição é, acima de tudo, muito mais para quem gosta de moda. Há a parte de cinema, da monarquia, mas o brilho está nos vestidos e trajes usados pela atriz. Se você é homem, não gosta de moda e nem de cinema, pode ir à exposição pra suspirar. Enquanto eu olhava algumas fotos na sala “Encontro”, um menino ao meu lado dizia: “pela madrugada, que mulher era essa”. Olhei pra ele e ri, mas, de fato, é impossível não se impressionar. Grace conseguiu manter sua beleza até a trágica morte, aos 52 anos, em um acidente de carro. Ao olhar suas fotos na maturidade é impossível não perceber como a beleza continuava intacta, agora parecendo com outra diva do cinema, Catherine Deneuve.

Triste mesmo foi não poder tirar fotos. As que estão aqui foram gentilmente cedidas pelas colegas do Moodismo e a do vestido YSL tirei do blog Ousadia Fashion.

A expô fica até dia 10 de julho, então não tem desculpa pra faltar a essa aula de elegância e feminilidade.

 

p.s: O post é dedicado a minha mãe, o meu maior exemplo de feminilidade e delicadeza.

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